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Entrevista sobre mercado de câmbio

Mercado de câmbio: tire as suas principais dúvidas (entrevista)

A entrevista a seguir foi realizada com o Leandro Marchioretto, Diretor da Advanced Corretora, na região sul do país. Nela você aprenderá alguns recursos do mercado de câmbio que pode usar nas suas operações de importação e exportação para reduzir custos e gerar mais produtividade. Confira!

Entrevista Leandro from Conexos Consultoria e Sistemas on Vimeo.

Prefere ler nossa entrevista? Aqui em baixo temos a transcrição dela.

Claudenir – Olá pessoal eu sou Claudenir, da Conexos, estou aqui para fazer uma entrevista com uma autoridade no assunto de câmbio, Leandro Marchioretto, diretor da advanced Corretora, na região sul do país, . Ele também é o idealizador da plataforma Câmbio na Veia e certificado pela ABRACAM, Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio.

Espero que vocês gostem dessa entrevista, feita para tirar dúvidas de temas comuns dos nossos clientes.

Mercado de câmbio: taxas e seus tipos

Claudenir – O que é a taxa PTAX?

Leandro – A taxa PTAX é uma média que o Banco Central faz das operações interbancárias, ou seja, das operações que acontecem entre as instituições financeiras. O banco central faz de 3 a 4 PTAXs, ou taxas médias, durante o dia e disponibiliza isso no site do Banco Central. Então, PTAX não é a taxa com a qual, efetivamente, você pode comprar ou vender, ela é um parâmetro, ou seja, uma taxa média do mercado interbancário, a qual o Banco Central disponibiliza para que as empresas possam ter uma referência ou utilizá-la numa condição comercial entre empresas.

Claudenir – Geralmente na internet há uma taxa de câmbio em sites como o UOL ou até mesmo no banco Central, um pouco diferente do que as instituições de câmbio informam na hora de se fazer uma remessa ou fechar um câmbio de importação e exportação. Por que isso ocorre?

Leandro – Essa é uma das grandes dúvidas, respondemos a isso quase que diariamente.

Na verdade a taxa que vemos na interna, tanto em sites de referência, como o UOL, Terra e assim por diante, é o que chamamos de Cotação Spot. Ela é um referencial do mercado interbancário. Dificilmente o cliente vai ter acesso a essa taxa, porque sobre ela incidem custos interbancários, as margens das instituições, e também os custos operacionais que essas instituições têm.

Então, na verdade essa é uma cotação de referência. Muitas pessoas perguntam por que nós, ou até mesmo os Bancos, cobramos um pouquinho a mais. Na verdade, a diferença entre aquela taxa e a que efetivamente o cliente está pagando são custos entre a taxa referencial e a taxa do cliente, tem o custo em si, a margem e a dispensa. Só grandes companhias conseguem comprar ou vender com aquela taxa.

Claudenir – E o famoso câmbio comercial. Como ele se enquadra nesse cenário que você acabou de explicar?

Leandro – Basicamente, o câmbio comercial é destinado ao câmbio turismo, são operações de importação, exportação ou dos agentes de carga, ou seja, são operações destinadas ao dia a dia das operações comerciais das instituições.

Claudenir – Quando eu tenho uma operação de câmbio comercial ou financeiro, posso fechar parte com uma instituição financeira, como a Advanced, e outra parte com outra instituição financeira?

Leandro – Sim, é extremamente possível. A instituição na verdade só encaminha como o dinheiro vai ao exterior ou chega ao Brasil. Então se você vai pagar uma importação quer fazer um sinal de 10%, 20% ou 30%, você pode fazer esse sinal por uma instituição e pagar o saldo por outra.

Não há nenhum problema em você fazer diversas operações de uma operação maior em instituições  diferentes, o que não pode acontecer, obviamente, é que o total dessas operações  passem o valor da documentação, seja da Profoma Invoice, da Comercial Invoice, da RI ou do RE, mas entrando dentro do valor total da documentação você pode fazer em várias instituições sem qualquer problema.

FINIMP, ACC, ACE, Back-To-Back: o que são?

Claudenir – Ouvimos muito falar de alguns mecanismos de Trade Finance, de finanças internacionais, como o FINIMP, o ACC e o ACE. Você poderia esclarecer cada um desses mecanismos de forma breve?

Leandro – O FINIMP é um financiamento de importações. Os bancos de varejo têm esse produto de forma bem efetiva. Então, por exemplo, se você é um importador e precisa de capital de giro, você pode ir até sua instituição e pedir uma linha de crédito chamado FINIMP que é um financiamento de importações.

O banco vai pagar sua importação no exterior e o cliente brasileiro fica devendo ao banco no Brasil.. Essa é uma das linhas de créditos mais interessantes na área de importação. O cuidado que recomendamos é prestem atenção, pois essa dívida fica em moeda estrangeira mesmo aqui no Brasil..

O ACC e o ACE são linhas de crédito voltadas para exportação. Uma antes do embarque e outra após. Então se o exportador brasileiro, antes ou depois do embarque da mercadoria, necessitar de capital de giro, ele também pode ir nessas instituições bancárias solicitar essas linhas de crédito. O Banco vai emprestar para o cliente e quando o dinheiro chegar do exterior o banco já retém o que é dele e entrega o saldo para o cliente aqui, no Brasil.

Claudenir – O ACC e o ACE são muito usados pelos seus clientes?

Leandro – Sim. Basicamente isso depende de vários fatores como quanto o cliente tem de limite no seu banco, as vezes o cliente quer fazer uma operação, mas infelizmente não tem limite no seu banco.

De qualquer forma são linhas muito utilizadas, porque, principalmente, o FINIMP, o ACC e o ACE têm taxas de juros muito interessantes. Então eu recomendo para quem tem interesse procurar seu banco de varejo e fazer uma solicitação de orçamento para ver se se encaixa dentro do seu fluxo de caixa ou da sua estratégia.

Claudenir – E a famosa operação Back-To-Back? Como ela se apresenta na prática?

Leandro – Bom, Claudenir, essa pra mim é uma das operações mais interessante do comércio internacional. Ela não é tão utilizada no Brasil, talvez por falta de conhecimento. Mas a operação Back-To-Back consiste em quando, por exemplo, ao invés de você comprar da China, fazer uma importação e depois fazer uma exportação para os EUA para seu cliente, você pode comprar direto da China e pedir para que essa mercadoria vá direto para os EUA, ou seja, ela não vai transitar em território brasileiro.

Essa é a cara de uma operação Back-To-Back: você compra no exterior e vende também no exterior.  E Olha só que legal, nessa operação você não vai ter uma DI ou uma RE, então os custos totais envolvidos numa operação internacional sejam bastante interessantes. Você acaba não tendo tanto a parte burocrática do Brasil, do desembaraço aduaneiro, como também ganha agilidade na operação e redução de custos.

Claudenir – Imagino que deve ser bastante utilizado pelas Trade Companies, não como as Trades que conhecemos aqui no Brasil, que fazem essa operação de compra e venda sem precisar transitar pelo país em que ela esteja instalada, certo?

Leandro – Sim, claro que no Brasil geralmente as grandes importadoras importam para consumo ou distribuição no próprio Brasil, naturalmente, mas quem trabalha tanto na importação quanto na exportação se tiver condições, talvez, seja importante avaliar essa possibilidade.

Valores no exterior e transações internacionais

Claudenir – Outra pergunta: posso manter valores ou não no exterior? Tenho operações de exportação e recebo o dinheiro no exterior. É possível mantê-lo no exterior? E também é possível eu pagar as minhas importações, ou seja, o meu fornecedor de uma operação, com esse recurso que mantive no exterior proveniente da minha exportação?

Leandro – Bem pertinente a sua pergunta.

Algumas pessoas, boas delas, que fazem contato conosco desconhecem essa possibilidade. De fato se você também trabalha na importação e exportação, você pode receber 100% do seu valor no exterior e com esse valor pagará suas importações.

A legislação brasileira permite que você deixe no exterior valores oriundos de 100% das suas exportações se você quiser e com esse recurso lá fora você fazendo o pagamento da suas importações. Isso é muito legal porque acabamos fazendo o que chamamos de head natural da operação, então você não tem risco cambial porque a moeda já está toda no exterior em dólares por exemplo, você acaba tendo um instrumento de garantia de moeda, ou seja, não há risco de variação cambial e você pode sim pagar as suas importações. Um detalhe apenas é que para quem utiliza esse instrumento é necessário que se faça uma declaração uma declaração no final do ano chamada Derex (Declaração sobre a Utilização dos Recursos) que serve para justificar às autoridades brasileiras essa movimentação financeira.

Claudenir – Fiz um pagamento antecipado da importação e por algum problema essa mercadoria não veio, o exportador encerrou as atividades, descontinuou o produto, ou decidiu não atender mais o meu pedido por outra oportunidade. O que devo fazer?

Leandro – Nesse caso temos duas diferenciais.

Uma é quando você faz um acordo comercial e fez um pagamento antecipado, por exemplo,  e por algum desacordo na negociação ou pela própria operação ser cancelada não vai mais ocorrer o embarque da mercadoria, o padrão da exigência do Banco Central é que 30 dias após a data prevista do embarque esse dinheiro tem que voltar ao brasil como repatriação.

Então é mais ou menos assim: fiz o pagamento antecipado por exemplo de 30 % da invoice e nesse ínterim a operação foi cancelada ou se desistiu de ter a operação, o dinheiro tem que voltar ao brasil como repatriação com prazo de 30 dias após a data prevista do embarque.

Existem alguns casos também em que as pessoas acabam sofrendo golpes. Entram em algum site e acabam comprando alguma mercadoria, fazem o pagamento e são lesadas – houve um dando ao cliente brasileiro. Nesse caso o dinheiro não vai voltar por ser um golpe e a instituição no Brasil vai pedir a DI e ela não vai existir, nesse caso o cliente brasileiro tem que fazer o máximo de esforço possível para tentar reaver o dinheiro e deixar isso tudo documentado para que se em algum momento alguma instituição brasileira, ou a Receita ou o Banco Central, venham te questionar você possa comprovar através de e-mails, contas telefônicas, conversas via Skype e whatsapp que você foi lesado para que isso não traga prejuízo ao cliente brasileiro.

Claudenir – No geral, ouvimos muitas pessoas falando sobre o RDE-ROF e o RDE-IED, qual a diferença de um para o outro e o q é cada um?

Leandro – O RDE é Registro Declaratório Eletrônico. São obrigações q o Banco Central exige em algumas operações e temos duas classificações.

O ROF é o Registro de Operações Financeiras. Todo o empréstimo internacional que vier do exterior para uma empresa brasileira ou pessoa física precisa do ROF que é uma declaração dentro do Banco Central. Além disso qualquer obrigação de uma empresa ou pessoa física brasileira  com o exterior acima de 360 dias também precisa do ROF. Por exemplo: eu fiz uma importação e vou pagar em 4 anos, passa o período de 360 dias então o Banco Central entende que não é mais uma operação comercial e sim financeira.

O IED é Investimento Eletrônico Direto para quando quando qualquer pessoa estrangeira, pessoa física ou jurídica, investe no Brasil. Vamos imaginar que um americano queira comprar 50 % de uma empresa brasileira. Quando ele for fechar o câmbio para comprar essas ações é necessário que se faça o IED, que é a declaração de que esse dinheiro está vindo para comprar essas cotas. Então em resumo o IED a declaração para todo o investimento feito por estrangeiros no Brasil. Além disso qualquer dissolução, venda de cotas, ou qualquer dividendo também precisa ser atualizado dentro do Banco Central através do IED.

Descubra uma vantagem para você

Claudenir – Leandro, para concluir gostaria que deixasse suas considerações finais

Leandro – Claudenir eu agradeço pelo convite e por você, como presidente da Conexos, oportunizar que a gente fale um pouquinho sobre o mercado de câmbio. O mercado de câmbio brasileiro ainda é muito fechado, as pessoas têm muitas dúvidas, por isso mesmo eu até decidi criar uma plataforma online  como uma forma de conteúdo sobre o câmbio. Hoje a gente tem treinado centenas de pessoas no Brasil para explicar um pouco sobre as operações, tirar as dúvidas dos clientes, permitir ter acesso a informações q talvez possa ajudar em suas operações não só do comércio internacional, mas também com operações de pessoas físicas, exemplo: enviar o filho para o exterior, comprar imóveis no exterior ou qualquer transferência internacional de saída ou de entrada.

E então, estendo essa contribuição a todos os clientes da Conexos, todos que queiram consultar, isso sem custo, fazer perguntas, tirar suas dúvidas, trocar nossas experiências, os contatos estão abaixo e então você pode fazer contato conosco, vai ser um prazer atender clientes e parceiros dessas empresa que para nós além de ser muito conceituada, a gente sabe da seriedade dos profissionais que nela trabalham. E deixo estendida também vantagens para clientes Conexos em nossos serviços, basta entrar em contato conosco.

Claudenir – A recíproca, qualquer cliente da Advanced que tiver necessidade de qualquer solução tecnológica nosso contato fica no final do vídeo, teremos uma condição especial para esses clientes que nos procurarem nos próximos dias.

Ficou claro seu nível de conhecimento no assunto, esclareceu bem as perguntas que eu fiz, que devem ser dúvidas da maior parte das pessoas que atuam na área de comércio exterior. Muitos nunca aprofundaram esses assuntos. A ideia é deixar o assunto no ar e o canal aberto para que essas pessoas possam entrar com contato com você e aprofundar qualquer necessidade e também  usar melhor as operações de câmbio dentro da empresas delas com o apoio do seu conhecimento.

A seguir estão os contato do Leandro e os meus:

Leandro Marchioretto, Diretor Comercial da Advanced Corretora. Fixo: (47) 3046-0048. Cel: (47) 98832-2257. Skype: advanced.sul

www.advancedcorretora.com.br

Claudenir Scalzer, Diretor da Conexos Cosnutlroia e Ssitemas. Fixo: (27) 3211-1162. E-mail: claudio@conexos.com.br ou comercial@conexos.com.br

www.conexos.com.br

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