Os custos mais relevantes no processo de importação

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Trabalhar com comércio exterior requer atenção e cuidado, por existir custos nas diversas operações envolvidas. Um deslize ao planejar a entrada de um novo produto no mercado nacional, ou até mesmo a substituição de fornecedores nacionais por estrangeiros, pode gerar problemas ao fechar as contas da operação, inviabilizando ou até mesmo gerando perdas na negociação. 

Neste artigo, você vai conhecer quais são os custos mais relevantes no processo de importação

Custos na origem 

Quando falamos em processo de importação, a primeira coisa que podemos pensar é sobre a burocracia do processo. Os fatores importantes a se considerar, são os custos de origem como:

  • Logística;
  • Qualidade;
  • Câmbio. 

Custos que contam com riscos, passíveis de mitigação. 

Logística Armazenamento, transporte e prazos de entrega:

Ao negociar com os fornecedores no exterior, é importante ficar atento aos Termos Internacionais de Comércio (Incoterms), para que se tenha uma definição clara de quais custos e obrigações serão de responsabilidade de cada uma das partes. O Incoterm também define o momento em que o risco da mercadoria é transferido do vendedor para o comprador e, portanto, é de vital importância ter bastante cuidado ao negociar a forma de entrega das mercadorias. 

Também é importante verificar qual a melhor modalidade de transporte para a operação, sempre considerando os custos em relação às características da carga, segurança no transporte e ao prazo de entrega, pois por mais que estejam seguradas, a não entrega no prazo, pode causar transtornos com clientes, perda de negócios e das mercadorias. 

Qualidade Inspeção na Origem

Outro fator que requer bastante atenção é em relação à qualidade das mercadorias adquiridas, ao negociar com o fornecedor no exterior, é necessário solicitar amostras para verificar a qualidade do que será entregue. Em alguns casos, ter uma equipe – quer seja terceirizada ou própria – na origem, para inspecionar a mercadoria entregue antes mesmo do embarque, para evitar transtornos e até mesmo, problemas com a fiscalização após a mercadoria já ter chegado ao destino. 

Câmbio – Contratos Futuros:

Ao negociar com pessoas no exterior, é importante sempre levar em consideração a volatilidade da paridade entre as moedas negociadas. Seja por motivos de crises duradouras ou até mesmo picos de alta e baixa nas cotações, uma variação cambial desfavorável pode tornar inviável uma operação e até mesmo gerar prejuízos quando se é pego de surpresa. Nestes casos, os contratos de hedge são excelentes ferramentas para mitigar o risco de variações cambiais bruscas, trocando o risco da variação cambial por uma taxa de juros. 

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Custos no destino 

Outro ponto crítico no processo de importação está na chegada da mercadoria no destino, pois é preciso estar atento a nacionalização da mercadoria. Os principais custos nesta etapa são os:

  •  Logísticos;
  •  Tributários;
  •  E eventuais Contingências

Logísticos – Recebimento da mercadoria e Nacionalização:

Em território nacional, é importante que a forma do recebimento e a nacionalização da mercadoria já estejam definidas. As opções são diversas, seja nacionalizar a mercadoria ainda em zona primária e fazer a remoção assim que liberada, ou até mesmo remover para um recinto alfandegado em zona secundária para, então, fazer a nacionalização. Diversas variáveis vão ditar qual a melhor opção, dentre elas podem ser destacadas as exigências legais para alguns produtos específicos. 

TributárioLeis, Impostos e custos  

Um dos fatores determinantes sobre a operação é a tributação. O Brasil é um país com uma das mais complicadas legislações tributárias do mundo, portanto, é de extrema importância que antes de qualquer decisão,  fazer o levantamento de todos os tributos que deverão ser recolhidos, bem como avaliar a forma que irão impactar na formação de custos da mercadoria importada. 

O Imposto sobre Importação (I.I) por exemplo, é agregado ao custo da mercadoria diretamente, por outro lado o ICMS, IPI, PIS e COFINS vão depender de uma série de fatores, para saber se vão ou não compor o custo da mercadoria. 

A contribuição para o PIS e a COFINS, são impostos que podem ser apurados tanto em regimes Não-cumulativos, onde os valores recolhidos na nacionalização serão recuperados na saída, quanto no regime Cumulativo, onde o valor dos impostos recolhidos no momento da nacionalização são incorporados ao custo

É importante conhecer os benefícios fiscais que cada Estado oferece, como forma de atrair investimentos em relação ao ICMS. A empresa precisa avaliar o retorno que o benefício fiscal pode trazer, para assim considerar os custos logísticos, uma vez que nem sempre desembaraçar uma mercadoria o mais próximo possível do destino final, seja o mais vantajoso

Em alguns casos, a escolha de um Estado diferente para o destino da mercadoria, pode compensar pelo benefício do ICMS. Os custos adicionais de transporte e armazenagem podem ser menores do que o pagamento do ICMS do Estado da empresa importadora em negociação.

Contingências – Canal vermelho

O planejamento da operação, a contratação de seguros e a constante vigilância sobre o andamento do processo, proporciona uma margem de segurança para trabalhar caso algo inesperado ocorra, como cair no canal vermelho.

Essa contingência pode ser reconhecida por divergência entre informações declaradas na Declaração de Importação (DI). Problema que pode gerar custos adicionais com a armazenagem e separação de mercadoria, despesas com demurrage por atraso na entrega de containers e necessidade de mais tempo para a nacionalização da mercadoria no destino. 

Todo cuidado é pouco 

Por mais que as pressões por fechar operações com custos cada vez mais competitivos sejam altas, nunca subestime a importância da mitigação de riscos. Todas essas informações citadas no artigo sobre os custos no processo de importação, são formas de evitar imprevistos, portanto, prudência e conhecimento continuam sendo os melhores aliados de quem opera no comércio exterior.

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